A vida boa dos menores infratores da Fundação Casa | Politicos Do Brazil
A vida boa dos menores infratores da Fundação Casa
Por admin
17/05/2019

Esse artigo é um relato passado por um funcionário que trabalha na Fundação CASA, antiga FEBEM. Nesse relato, ele me passou toda a rotina que cerca a vida de 180 jovens infratores. Jovens que cometeram os mais diversos crimes, desde tráfico de drogas até assassinatos brutais.

Dentre esses casos, 2 deles chamam muita atenção. Inclusive um foi fartamente difundido na mídia e gerou uma comoção nacional. Eu mesmo fiquei com tanta raiva que queria pegar aquele marginal e esganá-lo. Só que eu iria preso. Ele? Ele foi retido. Ficou livre e até se casou.

Por motivo de segurança, não irei expor o nome do funcionário. Usarei o nome fictício de Epaminondas.

Numa dessas viagens da vida eu conheci Epaminondas. Sujeito boa praça. Alto, negro, fala muito bem, se expressa de maneira fácil de entender e faz o papo ficar agradável.

Como curioso que sou, fui fazendo perguntas. Quis saber de onde ele era, o que fazia, perguntas de praxe, coisas normais de quem viaja e conhece pessoas legais. Todo mundo faz isso. Natural.

Epaminondas me disse que era de São Paulo, mais precisamente do bairro de Santana. Disse a ele que conheço o local, afinal moro no Grande ABC e fica relativamente perto. Uma pequena coincidência. Ao falar do que fazia na vida, senti que ficou meio reticente. Falei que poderia dizer numa boa, afinal estávamos ali de férias e provavelmente não nos veríamos tão cedo novamente, afinal cada uma tem sua vida e esse mundo é muito grande, não é mesmo?

Ele então se abriu e disse que é funcionário da Fundação CASA. Eu tomei um susto! Não é por nada, mas quem já ouviu falar da antiga FEBEM, sabe que ali não tem anjo e para conviver com esses anjos precisa ter muita paciência e porque não dizer, ter muito sangue frio.

Mas não demonstrei esse susto aparente. E aí comecei a fazer perguntas de como é o dia a dia no local, como os infratores vivem, situações escabrosas, enfim, tudo que cerca aquele mundo. Diga-se de passagem, um mundo a parte. E restrito.

Mais à vontade, Epaminondas começou a falar. Vou separar em tópicos, para melhor compreensão.

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ROTINA DOS INFRATORES

Levantam as 05:30 da manhã. Isso de segunda a sexta. Nos finais de semana, eles têm a mordomia de levantar as 9 horas no sábado e 7 horas no domingo. Durante a semana, tem um período para estudar e outro livre, onde alguns buscam a religião, enquanto outros simplesmente se divertem, seja jogando bola, jogos de tabuleiro ou algo do tipo. Nos finais de semana, cortam o cabelo e unhas no sábado. Detalhe: o cabelo sempre é cortado no sábado, não importa o tamanho que esteja, a máquina de corte é usada. No domingo, recebem a visita das famílias e advogados, tanto do Estado como particulares.

REFEIÇÃO

Todos os infratores fazem 5 refeições por dia. Isso mesmo que vocês leram! São 5 refeições por dia! Começa as 6 da manhã. No cardápio tem: pão, presunto, mortadela, manteiga/margarina, café, leite e achocolatado. As 9 da manhã, ou seja, apenas 3 horas depois, eles têm um “lanche”, composto de bolinho, muppy (suco industrializado de frutas) e iogurte. Nada mal, não é mesmo? Precisamente ao meio dia é servido o almoço. O cardápio é composto de arroz, feijão, macarrão (de todos os tipos), carne, suco e uma sobremesa variada. As 17:30 são agraciados com a janta. O cardápio é praticamente o mesmo do almoço. Mas um detalhe chama atenção: se no almoço foi servido bife, na janta é servido frango. Ou seja, a “mistura” não é repetida. Uma chiqueza total. Antes de dormir, todos tem um lanche da noite. Nesse lanche tem praticamente a mesma coisa que o lanche da tarde. E assim, mais ou menos as 23:00 horas todos vão dormir, com a barriguinha cheia e satisfeitos.

EDUCAÇÃO

No começo do artigo, eu não disse que 2 casos iriam chamar muita atenção? Pois bem, vou falar de um deles agora. Um infrator esteve retido por ter matado a namorada por sufocamento. Esse rapaz é filho de um policial da ROTA e de uma advogada. Na época ele estava matriculado numa faculdade de SP. Não vou mencionar aqui para não criar polemica. A fundação CASA não tem permissão para interromper os estudos de seus “hóspedes”. Sendo assim, o individuo continuou “frequentando” a universidade. Mas não era bem assim. Segundo Epaminondas, ele era levado até a universidade com a van e um agente da fundação. Ao chegar lá, ele entrava tranquilamente, sem algemas e sem a presença do agente, mas não ia para a sala de aula. O próprio individuo disse ao Epaminondas que fazia o seguinte… ele entrava, mas ia até a outra saída. Aí vem o absurdo. Seus pais estavam esperando. Ele entrava no carro e ia embora. Só aparecia no finalzinho das aulas, pegava a van e voltava para a unidade. Quando ele foi liberado, se mudou do bairro com sua família e nunca mais foram vistos.

Tirando esse caso, como eu disse acima, os infratores têm sim um período no dia para estudar. A grande maioria chega lá sem saber ler e escrever direito. E ali são pelo menos alfabetizados.

VIOLÊNCIA

Como todos devem ter conhecimento, um local que abriga menores infratores é um barril de pólvora prestes a explodir. A violência parece ser uma regra nesses locais. Assim como é nas prisões por todo o país. Epaminondas me confessou que um colega seu teve o braço quebrado em três partes pelos anjinhos. Brigas entre os próprios infratores são frequentes. Lá existe de tudo. Inclusive alguns desses menores fazem parte de grupos como PCC. Outros são “simpatizantes” do movimento e alguns tem pais que fazem parte. Casos de agentes que são ameaçados e acabam pedindo exoneração são frequentes. Pessoas que perdem sua liberdade por causa de menores infratores é algo comum. Infelizmente.

CASO ABSURDO

Mais um caso que me chamou muita atenção. Lembram daquele caso que teve repercussão nacional, onde um estudante estava chegando em casa e foi surpreendido por marginais no portão da residência? O rapaz deu tudo para eles, abriu o portão e se sentou ali, provavelmente se recuperando do susto que levou. Ali ele imaginou que seu pesadelo tinha acabado. Infelizmente não. Um desses infratores simplesmente voltou e, com o maior sangue frio do mundo, deu um tiro na cabeça desse estudante, matando-o ali mesmo. Sentado. Sem chances de defesa. Um assassinato cruel, sem explicação nenhuma. Eu quase quebrei a televisão, dada a raiva que fiquei naquele momento. Minha vontade era pegar aquele delinquente e esganá-lo! Só que provavelmente eu iria preso.

E o menor infrator? Foi recolhido a fundação CASA. Ficou um tempo lá e saiu. Mas não saiu sozinho. Saiu de lá casado, com uma funcionária da entidade. Não. Vocês não leram errado. Ele saiu casado! Com uma funcionária da entidade! A moça já maior de idade e ele ainda de menor. Ela se envolveu com ele e o levou para fazer parte de sua vida. E o estudante que foi vítima desse infrator? Nunca terá a chance de se casar e ter filhos.

GASTOS

Segundo o que me confidenciou Epaminondas, cada infrator custa aos cofres públicos, ou seja, a quem paga impostos, a bagatela de 8 mil reais por mês. Quanto ganha, em média, um trabalhador brasileiro? Por volta de 1500/2000 mil reais mensais. Uma diferença grande. Antes de alguém criticar, o gasto foi passado por alguém que trabalha lá. Não foi inventado. Se alguém do governo de SP ler esse artigo e conseguir desmentir a informação, fique a vontade. Mas sem ameaças.

VISITAS LIBERADAS

Alguns grupos sociais têm as portas abertas na fundação CASA. Ali entram e saem a hora que for conveniente a eles. Dentro desses grupos, destaco a presença dos Direitos Humanos. Estão sempre ali. Mas não é para ver como os agentes e funcionários da fundação são tratados pelos menores. Ao contrário, a preocupação deles é com a vida dos infratores. Bizarro.

Também são vistos sempre por ali pessoas do Ministério Público. O que vão fazer ali? Atrapalhar a vida de quem faz o certo. Não é isso que o MP faz?

Políticos também podem entrar. Toda casta, desde vereadores (de qualquer cidade do Brasil) até o presidente.

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Algo interessante que me disse Epaminondas. A maioria dos infratores chega à fundação raquíticos. Mas devido as 5 refeições diárias, saem de lá gordinhos e corados. A própria entidade fornece refeição aos parentes que vão as visitas, todo domingo. Muitos vem de longe e não tem o que comer. Uma triste realidade.

Como podem notar, o Estado cuida muito bem de quem comete crimes.

Sejamos sinceros. A fundação CASA nada mais é do que um resort para marginais. Ali eles têm tudo na mão e a disposição. Uma vida boa que a maior parte da população brasileira não tem. Isso revolta qualquer um. Principalmente as famílias das vítimas desses infratores.

O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) criado pelo ex presidente Fernando Collor e piorado com a gestão do PT, é um dos grandes culpados por essa vida doce e mansa que esses menores infratores têm. Toda unidade da fundação CASA é regida por esse Estatuto. E assim os menores têm muito mais direitos do que deveres. Trabalhar? Não pode. O ECA diz que trabalho pode causar problemas psicológicos nas “crianças”.

É mais do que necessário queimar esse ECA e criar um estatuto que puna os menores infratores, ao invés de dar-lhes tanta liberdade. Bandido, seja maior ou menor de idade, sempre será bandido. E como tal devem ser tratados. Bandidos não podem ter direitos. Apenas e tão somente deveres.

Em breve, um próximo artigo. Até lá!

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